Paróquia de S. Cosme - Gondomar :: A Família - Prioridade Pastoral em Gondomar
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A FAMILIA - PRIORDADE PASTORAL NA VIGARARIA DE GONDOMAR

 

O Conselho Pastoral Vicarial de Gondomar, acolhendo o parecer de representantes de todas as Paróquias e em unidade com todos os Párocos, reconheceu urgente e necessário estabelecer uma Prioridade Pastoral, que norteasse e aglutinasse todas as nossas diversas opções Pastorais e todas as Comunidades.

Foi unânime a escolha da Família. Assim vamos dedicar o quinquénio 2005-2010 à Família como Objectivo primordial e horizonte de toda a actividade comunitária. Depois dum período introdutório, fez-se um Inquérito para melhor conhecermos a realidade. Foi orientado e analisado por um Sociólogo: o Doutor António Teixeira Fernandes, Presidente do Instituto de Sociologia do Porto e com vasta experiência na área da Sociologia Religiosa. Seguem as conclusões, na íntegra.

 

Pareceu a toda a Vigararia que este Ano 2006-2007 seria para uma séria reflexão sobre estas conclusões, um Ver melhor a realidade que é a Família na cultura actual. Em toda a Vigararia, neste Ano será estudada e reflectida esta Amostra. Que em todas as Paróquias, em todas as Reuniões dos Movimentos, Organismos, Centros e Grupos, se dê algum tempo a ver como vai a Família cristã, para daí surgirem propostas para uma Pastoral Familiar ajustada às nossas necessidades. Diz o Estudo nas suas conclusões:

 

Da análise dos resultados do inquérito, parecem adquirir saliência alguns aspectos particulares.

1. A família, na sociedade de hoje, incluída a considerada como católica, é afectada por uma enorme instabilidade estrutural. A escolha dos parceiros, tornada exclusivamente pessoal e orientada para a vivência em grupo, em detrimento da sua natureza institucional, aliada à sua dimensão afectiva, torna o agregado familiar uma realidade extremamente volúvel. Tudo depende da sua capacidade de conferir felicidade e de ser espaço de realização pessoal.

2. Não só a família é instável como ainda se encontra disponível para uma variedade de modalidades de conjugalidade. O casamento religioso é aceite quase de forma unânime – não se estivesse entre famílias cristãs – mas há uma enorme tolerância em relação ao casamento civil, à união de facto e até ao casamento homossexual.

3. Desapareceu a estrutura comunitária da sociedade, familiar e paroquial, que oferecia apoio à acção pastoral da Igreja em épocas passadas. Esta passa a ser forçada a encontrar os vectores a partir dos quais se torne possível criar comunidades cristãs para a vivência de um Cristianismo comunitário. O domínio religioso está a ser fortemente invadido e influenciado pelos valores seculares próprios da sociedade civil.

4. Através do inquérito transparece um enorme défice de formação religiosa. Esse défice surge quanto à própria concepção do matrimónio católico. Exprime-se depois na forma como se realizam as práticas de fé partilhadas em comum. Atinge, no entanto, a sua manifestação mais significativa no modo como se acredita em Deus e em Cristo, como se configura o sentido cristão da vida e da forma como se consentem as práticas paralelas de religião.

5. Parece estar-se perante a falta de uma espiritualidade conjugal, própria de mulheres e homens matrimoniados que vivem numa sociedade secular e não sacral, e que necessitam de apoios para potenciarem o seu amor cristão. É feita, pelos inquiridos, uma apreciação dos serviços de pastoral familiar e da qualidade de tal pastoral, com a indicação de actividades a promover.

6. Um plano de acção orientado para a família, se quiser ter em conta os presentes resultados, terá de ser inserida numa pastoral de conjunto, devendo resultar do cruzamento de diversos aspectos:

6.1. Uma especial incidência na doutrinação sobre o Cristianismo e o seu mistério de salvação, acompanhada de actividades envolventes das pessoas, e não menos daquela do que destas.

6.2. Uma acção numa dupla frente, dirigida para a valorização da sacramentalidade matrimonial dos próprios casais e para a criação de uma mentalidade favorável ao matrimónio cristão.

6.3. A actividade pastoral, para ser sustentável, terá de promover ainda o envolvimento de casais que, ao mesmo tempo que se fortalecem na sua vivência, possam igualmente ser testemunho no seio de cada paróquia.

7. A primeira e imediata tarefa consistirá no esforço de gizar um plano de acção que contemple essas diversas dimensões e se estenda, em conjunto, a toda a Vigararia. Haverá, para isso, que definir temas a debater, e acções a desenvolver.                                               

                                                                              Fevereiro, 2006  -  A. Teixeira Fernandes

 

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