Paróquia de S. Cosme - Gondomar :: ABERTURA PORTA SANTA VIGARARIA GONDOMAR-Homilia
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Homilia  - Abertura da Porta da Misericórdia – Vigararia de Gondomar – 20.12.2015 – 15h

«Senhor, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos»(SlmResp)


Caros Irmãos e Irmãs, estimados Colegas sacerdotes e Párocos, caríssimos Religiosos e Religiosas da nossa Vigararia de Gondomar, eis-nos em Ano Santo da Misericórdia, na abertura da Porta da Misericórdia para toda a nossa Vigararia, ainda em Ano da Vida consagrada, às portas do Natal de Jesus, rumo ao Jubileu Fátima 2017: Graça e Misericórdia.

Saudação particular à Paróquia da Foz do Sousa, que não perdeu tempo e logo inaugurou este Ano Santo da Misericórdia, com uma Peregrinação a pé á Igreja Jubilar da Vigararia.

Com o salmista, com todos os pobres e oprimidos, com todos os que se alegram com a vinda e a vida de Jesus, que nos chegou por Maria, com a humanidade ávida de paz e harmonia, também nós rezamos, clamamos e ansiamos: «Senhor, mostrai-nos o vosso rosto e seremos alvos»(SlmResp). Como nos reconhecemos todos miséria e confusão, sem vermos nem o futuro nem o rosto das coisas ou dos irmãos.

Ano santo, tempo de Graça e Misericórdia, para vermos e refletirmos o rosto do Senhor. Aquele rosto belo e formoso, que nos une a si, que nos carrega aos ombros e faz ver o mundo e o futuro pelo olhar de Jesus Bom Pastor e Ele Se faz presente no nosso olhar. Como vemos no Logotipo do ano da Misericórdia. E assim se unem e conjugam a nossa miséria e a sua incomensurável bondade, que se torna remédio, cura, esperança, misericórdia para nós.

Neste ano da misericórdia, vamos contemplar o rosto do Senhor Jesus, na Reconciliação. Na renovação da nossa vida de Graça e Misericórdia, para vivermos em Paz( cf. 1Tim.1,2). Na Confissão, qual segundo Batismo, lavamos e perfumamos o nosso rosto, ungido para ser sinal do rosto misericordioso, terno e materno de Deus Pai, rico de misericórdia.

Chamados, portanto a mostrar Jesus – o Salvador que ama, cura, previne, eleva e liberta a humanidade. Como será belo, quem olhar para um cristão ver no seu rosto, um “alter Cristo”, lugar de acolhimento e encontro, oásis de misericórdia, de aconchego e de paz.

Havemos de ver o rosto do Senhor Jesus em todos os Irmãos, especialmente, nos desfigurados, nas periferias: na prática das obras de misericórdia. «Senhor, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos»(SlmResp). Ver Jesus no rosto desfigurado da pobreza, das novas pobrezas espirituais e emocionais, ver para amar, amar para servir, curar e libertar os corações atribulados – eis a nossa salvação! Seremos salvos. Pela aceitação e abraço à humanidade – nós mesmos – ferida, emsimesmada na egolatria, violenta e desesperada, que desconfia da técnica que fez, do positivismo que idolatrou, abatida e sem Norte, sem Esperança e que tem medo da sua própria sombra. Esta nossa Humanidade, que somos nós, que já não acredita na vida e tem medo de si mesma e do futuro.

Como nos falta ver o rosto do Senhor Jesus nas Mães Grávidas, como Maria e Isabel!... Nos Pais grávidos como José e Zacarias, nas Famílias da nossa Comunidade, na beleza da maternidade, na aventura de ter Filhos e Filhas confiando no Senhor, Pai de misericórdia.

 

Podemos dizer, com o cardeal W. Kasper, que as obras de misericórdia respondem a quatro dimensões da pobreza individual ou estrutural.

 

·         Em primeiro lugar, a pobreza física ou económica que afeta milhares de pessoas que não têm o necessário para a alimentação, que carecem de roupa ou de teto e abrigo, os desempregados, os refugiados à busca de acolhimento,  os portadores de deficiência ou doentes para quem não bastam as técnicas médicas, os presos que necessitam de humanização das suas condições de vida.

 

·         A segunda forma é a pobreza cultural que se manifesta no analfabetismo, na falta de oportunidades de formação, na exclusão social e cultural.

 

·         Acresce a pobreza relacional, isto é, a pobreza de comunicação de quem está na solidão, no isolamento, particularmente os sós e os idosos, os que sofrem o luto. Por fim, também existe

 

·         A Pobreza espiritual, que hoje representa um grave problema: o vazio interior, a confusão moral e espiritual, a perda de orientação na vida, a violência e a vingança como lei do mais forte, a perda da esperança...Neste sentido, as obras de misericórdia espirituais adquirem nova atualidade e urgência.

O Ano da Misericórdia é o grito do Amor do Pai, a proclamação de que o Bem vencerá o mal, O Amor é possível, a Esperança e a Misericórdia tem um Rosto: Jesus.

A misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, uma realidade muito concreta próxima e desafiante. As Obras de misericórdia – tipificadas e sintetizadas em Sete Corporais e Sete Espirituais – são o critério para perceber se vivemos ou não como discípulos de Cristo. As Obras de Misericórdia, corporais e espirituais, são a expressão concreta, o sinal visível e eficaz, que todo o mundo entende e admira, que mostra ao mundo o rosto misericordioso de Deus, nosso Pai. Recordemo-las, desde o início deste Ano da Graça, Misericórdia e Paz (1 Tim.1, 2):

As Obras de Misericórdia Corporais são(Ver Catecismo da Igreja Católica 2447):

Dar de comer a quem tem fome;

Dar de beber a quem tem sede;

Vestir os nus;

Dar pousada aos peregrinos;

Assistir aos enfermos;

Visitar os presos;

Enterrar os mortos.

As Obras de Misericórdia Espirituais são:

Dar bom conselho;

Ensinar os ignorantes;

Corrigir os que erram;

Consolar os tristes;

Perdoar as injúrias;

Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;

Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.

Como havemos de aprender com Santa Madre Teresa de Calcutá, Padre Américo, Silvia Cardoso ou Teresa Saldanha, a servir Jesus em todos estes: “sempre que o fizestes ou deixastes de fazer, a estes pequeninos, a Mim o fizestes”(cf. Mt.25,40.45). «Senhor, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos»(SlmResp)

Então a nossa alegria e esperança, a nossa salvação e da humanidade, estará em vermos o rosto do Pai, que Jesus nos revela, nos pequeninos das Obras de Misericórdia. A saída para o Mundo é a de sempre: o Messias, que faz estremecer João no seio de Isabel, que irrompe e interrompe os rotineiros projetos de vida de Maria e José, Jesus: Rosto misericordioso incarnado do Pai. Felizes os que assim vivem na misericórdia. Alcançarão misericórdia. Misericordiosos como o Pai.

«Senhor, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos»(SlmResp).

Maria, pressurosa a correr pelas montanhas, é a Mãe do meu Senhor Jesus. Ela é a Mãe de Misericórdia. Diz-nos o santo Padre:

«O pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia. A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor.

O seu cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, foi dedicado à misericórdia que se estende «de geração em geração» (Lc 1, 50). Também nós estávamos presentes naquelas palavras proféticas da Virgem Maria. Isto servir-nos-á de conforto e apoio no momento de atravessarmos a Porta Santa para experimentar os frutos da misericórdia divina».

Prezados Irmãos da Vigararia de Gondomar:

Em Fátima, Deus quis manifestar ao Mundo ferido e em guerras, o seu coração misericordioso, através do coração Imaculado da Mãe. E no culminar da teofania fatimita, temos o mistério de Deus, essa abóbada da Mensagem de Fátima, em letras cristalinas: “Graça e Misericórdia”(Cf. Visão de Tuy, 1929).

Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus. De O comtemplar nas nossas pobrezas, nas Obras de Misericórdia e de O refletirmos e anunciarmos, na experiência pascal-batismal da Reconciliação.

 

 

 

 

Nota Final:

As Obras de Misericórdia, a Reconciliação próprias deste Ano Santo. E a Peregrinação, com a indulgência, como em todos os Anos Santos, são meio o e ocasião de renovação e conversão.

Abrimos a Portas da Misericórdia. Ao atravessar a Porta Santa, deixemo-nos abraçar pela Misericórdia de Deus. Nesta Igreja Jubilar da Vigararia de Gondomar, pode –se alcançar o perdão pleno, com as condições habituais: Reconciliação, a Eucaristia, a Realização duma Obra de Misericórdia e rezando pelas intenções do Papa, num propósito de comunhão com toda a Igreja e da nossa conversão pessoal.

Todas as Paróquias têm afixado o Calendário dos Jubileus Diocesanos e Vicariais.

Outros surgirão ainda. Também o folheto do Ano da Misericórdia, explica e apresenta tudo. Com a oração deste Ano santo.

Nos vicariais destacamos desde já:

·         Jubileu Vicarial do Cuidar/Caridade – 03 de Fevereiro, 15, 30h, nesta Igreja Jubilar

·         Jubileu Vicarial do Celebrar/Liturgia – 22 de Maio, 15, 30h, nesta Igreja Jubilar

·         Jubileu Vicarial do Anunciar/Profecia e Missões – 16 de outubro, 15, 30h, nesta Igreja Jubilar

·         Peregrinação Jubilar a Pé à Sé – Dia 03 de Abril, Domingo da Misericórdia

·         Presença da Imagem Peregrina, na Vigararia – durante o Dia 26 de Abril

·         Todas as Quintas-feiras, das 09h – às 11h – na Igreja Jubilar teremos dois Confessores para atendimento espiritual e Confissão. Fora desata horas há também atendimento espiritual.

A Oração do Ano Santo, A Salve Rainha e o Magnificat, são as Orações por excelência deste tempo de “Graça e Misericórdia”. E assim também nos vamos preparando para 2017 – Jubileu dos 100 Anos de Fátima e 300 da Aparecida do Norte.

Feliz Ano da Misericórdia, na nossa Vigararia, nas Famílias. A Oração do Ano Santo, a Salve Rainha, outras, rezadas diariamente em Família, far-nos-ão viver com alegria e confiamnça.

Leituras:

L 1 - Miq 5, 1-4a;

Sal - 79 (80), 2ac e 3b. 15-16. 18-19
L 2 - Hebr 10, 5-10
Ev  - Lc 1, 39-45

 

 

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